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Celso Figueiredo

Celso Figueiredo

É doutor em Comunicação, pesquisador, consultor e professor do Mackenzie e da FAAP.

A chave do sucesso na mão dos pequenos empreendedores

"Por muito tempo prosperou a idéia de que as grandes empresas dominavam o mercado e restava às pequenas..."

Por muito tempo prosperou a idéia de que as grandes empresas dominavam o mercado e restava às pequenas contentar-se com as bordas, as rebarbas rejeitadas pelos grandes conglomerados de negócios. Entretanto a realidade do universo contemporâneo dos negócios não é exatamente assim. Especialmente quando tratamos do setor de serviços. Enquanto as grandes empresas investem pesado em treinamento e sistemas informatizados para qualificar pessoal e aumentar o nível de satisfação de seu público, as pequenas podem fazer isso com muito mais simplicidade e com investimentos baixíssimos. Basta atentar para alguns procedimentos simples na gestão do pequeno negócio.

Muito se fala em marketing relacionamento e em desenvolvimento de estratégias de fidelização dos clientes. Bem, se observarmos com atenção o trabalho de um feirante, veremos que ele é um eficaz gestor de relacionamento, que empreende diversas estratégias para fidelizar suas clientes, oferecendo brindes, trazendo novidades, guardando frutas ‘especiais’ para elas e prestando serviços diferenciados como destacar um garoto para levar as compras. A sabedoria está no simples. O bom feirante pode dar nó em muito consultor engravatado. A proximidade dos clientes e a agilidade que as pequenas empresas têm, na verdade, representam uma imensa vantagem dos pequenos sobre os grandes. No mundo corporativo é comum vermos gestores que simplesmente nunca usaram o produto com o qual trabalham, eles não tem um conhecimento físico, profundo, real do produto. Já o pequeno empresário sabe tudo do produto e das necessidades do seu consumidor porque trata direta e cotidianamente com ele.

Some-se a isso a imensa vantagem que a internet representa para as pequenas empresas. Agora a distância geográfica deixou de ser um desafio. Qualquer um, de qualquer parte do mundo, pode entrar em contato com sua empresa e enco mendar seu produto. A questão é: por que alguém faria isso? E é nessa resposta que está o grande desafio desse novo modelo de negócio. Da mesma maneira que se romperam as fronteiras e todos acessam todos, é necessário que cada um seja capaz de distinguir-se para vencer. O desafio, daqui para frente, é criar algo que o diferencie dos demais. Ser único tornou-se o mote para sobrevivência no mercado global. Nessa empreitada, as pequenas empresas vão ter que contar com a criatividade e a personalidade de seus proprietários para desenvolverem sistemas e idéias que as tornem distintas da concorrência. Se não cairão na arapuca da concorrência pelo preço mais baixo, e nessa guerra só existem perdedores...

Outra porta que se abre aos pequenos nesse novo milênio é a da publicidade. Se antes esse era um jogo restrito aos grandes devido aos altos investimentos necessários, agora tudo é possível com os custos baratíssimos ou gratuitos da internet. Mais uma vez, o que vige é a criatividade. Serão as idéias que arrastarão as pessoas para acessarem sites, assistirem a vídeos ou interagirem entre si nas redes de relacionamento. Não se pode encarar o universo da comunicação na web sob a mesma perspectiva intrusiva da publicidade tradicional, em que o consumidor aceita o comercial em “troca” do conteúdo que é de seu interesse e que lhe é dado gratuitamente. No novo modelo de negócios, os conteúdos são gratuitos e não se aceita intrusão. Portanto, para que a marca se aproxime do consumidor é ela própria que deverá fornecer conteúdo para ele. Mais uma vez, ponto para os pequenos porque, afinal, como resultado do longo convívio com seus clientes, o pequeno empresário tem mais assunto, mais idéias, mais dicas para compartilhar com os consumidores que as grandes empresas, usualmente afogadas em complexas planilhas e operações logísticas e mercadológicas que não são do interesse do público final. Vemos hoje no mercado empresas que abrem uma série de canais com seus consumidores e depois não sabem como preencher esses canais, não tem conteúdo para fornecer, e terminam por se concentrar em promoções. Terrível, ter que oferecer vantagens para estabelecer um relacionamento, que tende a já começar comprometido.

Como se vê, a chave dos negócios está nas mãos dos pequenos empresários, que conhecem seu público, que têm agilidade e flexibilidade para atender adequadamente suas demandas e que podem, com a internet, fazer chegar sua mensagem a qualquer parte do mundo. Basta uma boa dose de criatividade que a chave do sucesso está em suas mãos.


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Data de Publicação: 20/01/2011 15:57

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