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Paulo Duarte

Paulo Duarte

É arquiteto e consultor de fachadas da empresa Paulo Duarte Consultores.

Esquadrias e vidros na construção civil (Continuaçãoda ed. 05)

Neste artigo falaremos a respeito de sistemas de fechamento de edifícios, com ênfase em esquadrias e vidros para construção civil

Os vidros ocupam a maior área das esquadrias, constituindo, portanto, a maior área de penetração de luz, calor e ruído através das fachadas. Por essa razão, sua especificação deve ser cuidadosa e, para isso, é necessário conhecer o desempenho dos vários tipos de vidro disponíveis para construção civil.
Numa explicação simples, os vidros devem ser considerados por seu desempenho estrutural – resistência às solicitações de vento, a cargas acidentais etc. Há o desempenho relacionado à entrada de luz e à visibilidade através do vidro e o desempenho acústico, muito importante quando se pretende que o vidro reduza o nível de ruído ao adequado uso do edifício. Para hospitais ou instituições de ensino, por exemplo, os níveis são mais baixos. Para edifícios de escritório admitem-se níveis mais elevados, mas as normas brasileiras e as internacionais sempre limitam esses níveis de acordo com as frequências dominantes do ruído externo – ruídos de baixa frequência incomodam mais e são mais nocivos que os de alta.
Adicionalmente, o vidro deve contribuir para o conforto térmico do ambiente interno, ou seja, tem que controlar a passagem de calor de um lado para outro. Em países de clima frio, o uso da calefação gera grandes custos e o que se pretende dos vidros é que permitam que o calor penetre no ambiente durante o dia, mas não deixem o calor sair durante a noite ou em períodos com temperatura externa muito baixa. Já nos países de clima quente, principalmente nos trópicos – nosso caso – o que se procura é barrar a entrada de calor durante o dia e permitir que ele saia com facilidade nos períodos com menos radiação e à noite.
Por essa observação já se nota que as necessidades são exatamente opostas nos climas frios e nos trópicos. Ignorar essa condição gera sérios enganos na especificação de vidros feita com base nos usos mais conhecidos na Europa e nos Estados Unidos.
No Brasil, não pode ser ignorada a necessidade de utilizar vidros que “reflitam calor para fora”. Ao mesmo tempo, devido à claridade excessiva nos trópicos, é necessário também limitar o excesso de passagem de luz para o ambiente interno. É frequente entre arquitetos e usuários o comentário
quanto ao uso, na Europa, de vidros muito claros, com transparência total. Esse questionamento sugere que se analise com alguma lógica por que não é conveniente usar tais vidros aqui.
Sempre há dúvidas relativas à “refletividade” dos vidros para fora. Muitos temem que, em busca de controle de luz e o calor, sejam especificados vidros muito refletivos, criando o indesejado efeito espelho. Esse temor tem origem numa época em que a tecnologia do vidro ainda não havia evoluído para condições mais precisas de controle desses efeitos. Há algum tempo, porém, existem vidros com refletividade muito baixa de luz, mas que são muito eficientes no controle do calor. São vidros de controle solar de alta eficiência.
Uma consideração a fazer é que os vidros refletem luz e calor não apenas “para fora”, mas também “para dentro” e alguns tipos têm refletividade luminosa interna até maior que a externa. Essa situação é muito desconfortável, pois, num dia chuvoso ou nublado e à noite, a refletividade interna aparece com intensidade – há pouca luz externa – e ao olhar pelas janelas vemos apenas reflexos do ambiente interno. Trata-se de uma “jaula de espelhos” e isso deve ser cuidadosamente evitado.


Tipos de vidros

Monolíticos são os vidros tais como são produzidos originalmente. Incolores ou coloridos, são uma placa única produzida industrialmente. Esses vidros podem ser temperados ou semi-temperados, para aumento de sua resistência.
Os vidros temperados e semi-temperados passam por um processo de choque térmico que os endurece, proporcionando maior resistência mecânica. São usados
para grandes envidraçamentos para reduzir as espessuras. Mas requerem um cuidado: podem sofrer quebra originada por várias causas e, portanto, não podem ser instalados em guarda-corpos, em coberturas etc.
Os laminados são compostos de duas ou mais placas de vidros monolíticos, comuns ou temperados, unidas por uma película por meio de um processo industrial. Oferecem maior segurança, pois, ao se quebrarem, os cacos ficam grudados na película.
Insulados são os compostos por duas lâminas de vidro – comum, temperado ou laminado – montadas de forma a ter entre elas uma câmara de ar que fica sem contato com o ar exterior. Esses vidros colaboram em certa medida para o conforto térmico e, dependendo das frequências e níveis dos ruídos, podem ser eficientes acusticamente. Ao contrário da crença mais difundida, nem sempre constituem a melhor solução acústica. Por isso um especialista deve ser consultado para a especificação em cada caso.



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Data de Publicação: 24/05/2011 19:02

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