Há quase 25 anos, o vice-presidente para a América do Sul da multinacional Glaston, Moreno Magon, iniciava uma trajetória profissional que lhe traria vasta experiência e um conhecimento aprofundado do mercado de máquinas e tecnologia para o mercado vidreiro, no Brasil e mundo afora. Nascido na Itália, Magon iniciou sua carreira aos 17 anos, no setor de produção de ferramentas da Bavelloni, empresa do Grupo Glaston especializada em maquinário para processamento de vidros para arquitetura e a indústria moveleira. Em cinco anos, tornou-se representante de vendas internacionais e, em 1998, foi designado chefe de vendas para o mercado sul-americano, com base no Brasil. Nomeado vice-presidente em 1998, desde então comanda todas as operações comerciais da Glaston para a América Latina.
Pioneira em soluções de máquinas, equipamentos e software para o setor vidreiro, a empresa tem fábricas instaladas em cinco países e três continentes. No Brasil, surgiu a partir da junção de três empresas bem sucedidas no mercado nacional, Tamglass, Z. Bavelloni e Albat+Wirsam, com a estratégia de ser a única capaz de oferecer um leque completo de soluções para o segmento. Em entrevista a Vidro Impresso, Moreno Magon fala sobre a atuação da Glaston no mercado nacional e mundial, expõe sua visão sobre o setor de máquinas e tecnologia e afirma que, apesar dos entraves da economia informal, que tendem a desacelerar a evolução econômica do Brasil, o País tem conseguido, pouco a pouco, reduzir o gap tecnológico que havia, até pouco tempo atrás, entre as economias clássicas e as emergentes.
Vidro Impresso – Como avalia as perspectivas para o setor vidreiro no Brasil?
Magon – O cenário é favorável por várias razões. O mercado de arquitetura prevê um grande crescimento diante dos vários projetos políticos e de infraestrutura ligados à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016. Adicionalmente, o projeto Minha Casa Minha Vida dará impulso ao negócio da construção civil. Outro segmento com grande potencial é o da energia solar, por meio da difusão dos vidros fotovoltaicos.
O Brasil é visto pela Glaston como uma opção para a retração nos mercados tradicionais?
Com o boom dos mercados emergentes, a empresa se alinhou a uma nova estratégia de negócios e vê o Brasil como um mercado interessante. Infelizmente, a economia informal contribui para a redução do potencial de investimentos, retardando a evolução econômica do país. Nossa estratégia, tanto de vendas como de produção, é oferecer ao consumidor final um produto mais próximo de sua realidade, levando em conta as particularidades regionais, de modo a comercializar tecnologias e soluções 100% adaptadas a cada país.
Em que países estão localizadas as fábricas da Glaston? Quais são as empresas do grupo presentes no Brasil? Quais os produtos comercializados no País?
Temos fábricas na China, Alemanha, Finlândia, Itália e Brasil. Aqui, a Glaston abrange as marcas Tamglass, Bavelloni e Albat & Wirsam, com produção em Diadema de fornos de têmpera, máquinas de pré-processo, como retilíneas, lavadoras e furadeiras, além de rebolos e acessórios. Paralelamente, oferecemos o desenvolvimento de soluções em software.
Em que áreas estão as melhores oportunidades para a Glaston Bavelloni no Brasil: arquitetura e construção ou indústria? Ou, por outro ângulo: no fornecimento de máquinas ou na prestação de serviços e soluções de software?
Com certeza o negócio que mais movimenta a economia é a engenharia, seguida pelo setor automotivo, eletrodoméstico e de decoração. Infelizmente o segmento de energia solar ainda não tem crescido como em outros mercados emergentes. Contudo, acredito que nos próximos cinco anos o Brasil terá a sua atençãovoltada a esse tipo de solução. As soluções de software fazem das máquinas da Glaston únicas, já que garantem melhor eficiência de produção. Atualmente temos cinco áreas de negócio: Pré-processo (PP), Tratamento do vidro (HT), Software soluctions (SW), Ferramentas (Tools) e Melhoria na capacidade produtiva e na eficiência dos equipamentos pósgarantia (SE). Cada uma dessas áreas oferece oportunidades sazonais. Contudo, uma área a que a Glaston dispensa particular atenção é a SE, no intuito de se aproximar dos clientes e prever soluções para suas possíveis necessidades.
Nesse quadro, que diferenciais a Glaston Bavelloni tem a oferecer?
Todos os nossos produtos visam a qualidade total, levando em consideração custo x beneficio para nossos clientes. Diferencial em HT: qualidade a custo de produção inferior. Diferencial em PP: qualidade, tradição e competência. Em SE, o diferencial “Glaston Care”, que possibilita a redução dos custos de manutenção. Em relação à área de negócio” Tools”, somos os únicos a oferecer uma completa gama de produtos com rebolos diamantados, polimentos e resinóides, com 64 anos no mercado de ferramentas. Em Software, são 280 engenheiros especializados em desenvolver as mais modernas soluções para os clientes.
Quais são as últimas tecnologias disponíveis no mercado de máquinas para vidro? A que se destinam essas tecnologias e como têm ajudado a impulsionar o setor vidreiro?
Um dos últimos lançamentos da Glaston é o ILook, um sistema inovador para controlar automaticamente a qualidade dos vidros temperados. Os fornos ProE e FC 500 resumem toda a tecnologia de 40 anos das marcas Tamglass e Uniglass, o que há de melhor no mercado de produto para têmpera, unindo maior produtividade e menor custo. OProE processa vidros de segurança planos para uso solar, arquitetônico, IG, industrial e automotivo. O forno é conhecido pelo seu exclusivo sistema de aquecimento por convecção de perfis.
Com a adoção das tecnologias de automação e mecanização nas linhas de produção, a indústria de máquinas tem um novo desafio pela frente: acelerar a relação entre a rotina do chão de fábrica e os processos de tomada de decisão de uma empresa. Como acredita que esse desafio pode ser vendido?
A Glaston orienta os empresários a encarar esses desafios como uma oportunidade de negócios. O software ”Panorama”, com tecnologia Albat &Wirsam, possibilita melhor gerenciamento, por meio de um panorama online do que acontece no chão de fábrica.
O crescimento do setor de máquinas costuma estar vinculado ao otimismo do mercado de um modo geral. Nesse sentido, o momento atual é favorável ao Brasil?
Sim, com a grande demanda de infraestrutura, a construção em alta, os eventos em 2014 e 2016 e principalmente o crescimento da economia interna. O desafio que o Brasil deve enfrentar a médio e longo prazo é o aumento das exportações, principalmente de produtos acabados. Uma redução na carga tributária contribuiria para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros.
Em relação a outros países, como avalia o nível de adoção e desenvolvimento de tecnologias mais avançadas no Brasil?
O mercado vidreiro no Brasil é marcado por empresas que atuam de maneira pulverizada. Já em outros países da América Latina o mercado é mais centralizado, com a maior fatia nas mãos de poucos. Consequentemente, a exigência tecnológica é maior no Brasil.
A energia fotovoltaica tem mais perspectivas num Brasil ensolarado ou numa Finlândia com dias curtos e invernos prolongados?
A tecnologia de energia solar está em constante evolução. Não há distinção de local, até porque existem paineis fotovoltaico que funcionam à noite. Em um artigo no site www.desertec.org, é possível constatar que 6 horas de sol num deserto africano poderiam produzir energia elétrica para abastecer o mundo por um ano. A propósito, o GPD Glass Performance Days, evento organizado pela Glaston que ocorrerá na Finlândia, abordará importantes temas ligados à energia solar.
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