Encontre-nos na Internet

Administrado por

Parceiros

Mercado

Presença de peso

Número 1 do mundo no segmento de vidros planos, a japonesa AGC fecha o triângulo das maiores líderes globais

Mês a mês, 2012 dá mostras de que, daqui para a frente, o setor vidreiro deverá ser guiado por significativas transformações em direção a um novo e dinâmico cenário. Em evento promovido em abril, a japonesa AGC, líder mundial na fabricação de vidros planos automotivos e arquitetônicos, deu mais um passo para a construção de sua planta no Brasil, a primeira da empresa na América do Sul. A cerimônia de lançamento da pedra fundamental da nova fábrica, sediada na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo, reuniu empresários, dirigentes, clientes e parceiros de várias partes do mundo, além de autoridades e representantes das principais entidades vidreiras nacionais. Com a chegada da AGC, as três maiores fabricantes mundiais de vidro estarão em São Paulo, Estado que já abriga unidades da Cebrace joint venture entre a francesa Saint-Gobain e a japonesa Pilkington e da Guardian.

Realizado um ano após a empresa ter anunciado investimentos de R$ 750 milhões para trazer suas operações ao Brasil, o evento marcou o início das obras das novas instalações, em um terreno de 500 mil m², e contou com a participação do presidente mundial e CEO do grupo AGC, Kazuhiko Ishimura, além do presidente da AGC Brasil, Davide Cappellino, do embaixador do Japão no Brasil, Akira Miwa, do secretário de Estado de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, que representou o governador Geraldo Alckmin, e do prefeito de Guaratinguetá, Junior Fillipo. “Hoje damos o primeiro passo de uma longa trajetória que pretendemos empreender em um País que não para de crescer e é hoje a sexta maior economia do mundo”, afirmou Kazuhiko Ishimura, durante a cerimônia que marcou sua primeira visita ao Brasil. “Nosso projeto global é trabalhar em mercados que apresentem crescimento e nisso o Brasil se torna muito importante.”

Com previsão de inauguração para 2013, a fábrica terá sua linha de produção voltada em 80% para a construção civil e 20% para o setor automotivo. Até 2016, a AGC Vidros do Brasil espera produzir anualmente 220 mil toneladas do produto para o setor da construção, além de conjuntos de vidros para atender 500 mil veículos. Mas a meta da multinacional é maior: atender 30% das necessidades de vidros planos do mercado automobilístico brasileiro a partir de 2014. Para isso, a empresa deverá ter capacidade de cerca de 1 milhão de veículos. “Esse setor cresce muito. Temos área suficiente em Guaratinguetá para construir uma nova fábrica”, afirmou o executivo.

Pilares

O início das operações no Brasil deverá ser pautado por uma intensa sinergia com a população local, segundo as palavras do presidente Ishimura. “Nossos esforços serão no sentido de apoiar o desenvolvimento da região e de seus moradores, por meio de um amplo programa de qualificação profissional. Nosso plano é contratar cerca de 500 funcionários de Guaratinguetá e iniciar um ciclo de cursos para o desenvolvimento e qualificação de jovens, com foco em prover oportunidades concretas para as novas gerações”, frisou o executivo. A empresa anunciou ter dado início, em parceria com o SENAI, ao processo seletivo para contratação e formação dos profissionais que atuarão na nova unidade. “A diversidade de culturas e pontos de vista deverá ser um valor acolhido por todos os profissionais da AGC Vidros do Brasil.”

A companhia também anunciou no evento as duas parcerias sociais firmadas para a área educacional da cidade. A primeira, com o Instituto Ayrton Senna, será focada na implementação de programas que favoreçam uma gestão diferenciada do ensino para qualificar a educação pública. Segundo a empresa, a Prefeitura Municipal de Guaratinguetá e o Instituto Ayrton Senna já estão analisando oportunidades para dar início a esses projetos nas escolas públicas da cidade. A outra parceira será a Casa Betânia, instituição que opera desde 1976 na cidade de Guaratinguetá, e destina-se a oferecer capacitação profissional e técnica para mais de 60 jovens em várias áreas do conhecimento. “A cerimônia de hoje oficializou o comprometimento que temos com a cidade e a relação de longo prazo que pretendemos criar com estas duas instituições de grande prestígio”, disse o presidente da AGC Vidros do Brasil, Davide Cappellino durante a cerimônia.

Outro aspecto enfatizado por Ishimura foi o da proteção ambiental por meio da implantação, na nova fábrica, das mais avançadas tecnologias já empregadas pela AGC ao redor do mundo. “Queremos contribuir para a construção de uma sociedade sustentável, por meio de investimentos em tecnologias de ponta, que garantam alta economia de energia e processos produtivos limpos. Seremos a fábrica de vidros mais sustentável da América do Sul”, garantiu o presidente. “Além disso, seremos a primeira planta integrada no Brasil, fabricando 600 toneladas de vidro com grande variedade de cores e espessuras, além de uma linha de espelhos e de vidros com alta perfomance energética, que contribuirão para a difusão e desenvolvimento de edifícios mais eficientes”, acrescentou Cappellino.

A nova planta contará com tecnologias inéditas para a limpeza e reaproveitamento de 100% do material excedente na produção. “Toda a sucata gerada será mantida na planta, para reciclagem. Ou seja, vidros com problemas serão refundidos e reaproveitados”, diz Cappellino. “Contaremos com os sistemas mais avançados para tratamento dos produtos da combustão, ou seja, da fumaça produzida pela queima e de toda a água utilizada para resfriamento do forno.” Expansão global A estratégia de crescimento do Grupo AGC evidencia uma mudança de rumo nos negócios da tradicional companhia vidreira após a crise global, que prejudicou o mercado japonês. Também conhecida por Asahi Glass, a empresa nasceu em 1907 e ganhou força nos mercados asiático, europeu e norte-americano a partir de 1996. Com fábricas em 17 países, a multinacional vive em meio a um forte plano de expansão internacional, passando a contar com o Brasil em seu voo global. Apesar de ainda estar no início da construção, a fábrica em Guaratinguetá já está em vias de ganhar um plano de duplicação.

Ao colocar o pé no mercado brasileiro, a AGC acredita estar no caminho certo para atingir a meta de ter 30% do seu faturamento total em 2020 vindo dos países emergentes. Hoje, a receita do grupo está na casa dos US$ 15 bilhões, sendo que as economias em crescimento têm representação de apenas 19%. Daqui a oito anos, estimativas da empresa apontam para resultados anuais no patamar dos US$ 25 bilhões.

Os planos de atuação global da AGC concentram-se apenas em sua área de vidros, cuja matriz está na Bélgica, e hoje representa mais da metade das operações globais do grupo. Os negócios de eletrônicos e químicos ficam restritos à região asiática. Dentre os 30 países onde o AGC atua, o Japão ainda ocupa um lugar importante nos negócios da empresa, representando 35% do faturamento global. “Mas temos que considerar que 65% já vêm de operações internacionais”, enfatiza Ishimura. Segundo o executivo, o país ainda é importante, principalmente nos segmentos trabalhados pela empresa, mas as perspectivas têm-se deteriorado diante das baixas taxas de crescimento. “Independentemente do terremoto no ano passado, o Japão já não mostrava crescimento após a crise mundial”, constatou.

Para compensar as limitações da matriz, a ordem é mesmo se voltar para fora. Os próximos mercados que devem receber operações da companhia serão a África do Sul e o Oriente Médio. Tendo início em 2008, sua estratégia se volta ainda para a exploração de produtos sustentáveis e de maior valor agregado, como vidros para eletrônicos. Esse desenho deve prevalecer também nas operações brasileiras. Para concorrer por aqui, a empresa não pretende definir o fator preço como o grande diferencial e sim dar mais ênfase nos serviços e novas tecnologias.

 

Grupo AGC - Kazuhiro Ishimura

Presidente mundial do Grupo AGC , Kazuhiro Ishimura, cumpr imenta o secretário de Estado de Desenvolvimento Metropolitano de São Paulo, Edson Aparecido, durante cer imônia de descerramento da placa

 

Ishimura e David Cappellino

Ishimura e David Cappellino, presidente da AGC Vidros do Brasil . Ao fundo, terreno onde a fábrica será erguida

 

Nova planta da fábrica

Presidente Kazuhiro Ishimura, em frente ao painel que mostra em detalhes a disposição da nova planta

 

Obras da AGC

Obras da AGC

 

 

Para receber a Revista Vidro Impresso durante um ano, CLIQUE AQUI.

 



Esta materia foi visualizada  1505 vezes.

Data de Publicação:17/05/2012 17:35

Galeria de Fotos