Maior fabricante de vidro float do Brasil, a Cebrace acendeu em março o seu quinto forno, o C5, localizado na fábrica da empresa em Jacareí, no interior de São Paulo. Anunciado em 2008, o C5 teve suas obras iniciadas em 2010 e contou com um investimento de 170 milhões de euros. A nova unidade tem capacidade produtiva de 920 toneladas/dia. “Com o novo forno em operação ratificamos o compromisso assumido com o mercado brasileiro, além de agregarmos num único local a maior unidade produtora de float no Ocidente”, afirma o gerente geral de vendas da empresa, Luiz Jorge Pinheiro. “Quando em pleno funcionamento, o C5 deverá garantir evolução na disponibilidade de produtos, contribuindo para a expansão do mercado em diferentes segmentos.”
Joint-venture formada pela nipo-inglesa NSG-Pilkington e pela francesa Saint-Gobain, a Cebrace vem percorrendo nos últimos anos um caminho de sucessivos investimentos não somente no Brasil, mas também na construção de fornos float na Argentina, Chile e Colômbia. Líder no mercado brasileiro de vidros planos há quase 40 anos, a empresa se prepara para enfrentar em breve a concorrência de dois novos players, a gigante mundial AGC e a pernambucana CBVP. Para garantir sua posição de liderança, a fabricante planeja continuar investindo em novos produtos de sua linha de controle solar e decoração. “Também devemos nos concentrar na crescente qualidade dos serviços e disponibilidade dos produtos”, informa Pinheiro. A entrada em operação do forno foi saudada com discurso de Bernoit d´lribarne, delegado do Grupo Saint-Gobain para Brasil, Argentina e Chile. Também marcaram presença Renato Holzheim, diretor executivo da Cebrace, Carlos Alberto Lori, diretor industrial de Jacareí, e Rodolfo Civile, responsável pelo projeto de implantação da nova unidade. Segundo Pinheiro, o C5 estará dedicado à produção de vidros coloridos e incolores para arquitetura e construção civil. “Toda a evolução técnica adquirida ao longo dos anos foi aplicada na construção do C5, que é o coração da linha”, diz o executivo. “O forno foi construído com design desenvolvido a partir de modelizações matemáticas e softwares de alta tecnologia, para garantir uma performance energética otimizada e emissões dentro dos padrões internacionais.”
A inauguração formal do C5 para o mercado vidreiro ainda não tem data marcada, devendo ocorrer quando o forno já estiver produzindo efetivamente. “Isso acontece porque, logo que aceso, o forno float deve passar por um processo de adequação à alta temperatura. O vidro produzido inicialmente é descartado por não ter qualidade, já que os ajustes são feitos nesse período”, explica Pinheiro. Esse processo dura entre 30 e 40 dias, e somente após a estabilidade do forno é que a primeira chapa de vidro será efetivamente produzida. “Trata-se de um longo processo”, afirma Carlos Alberto Lori, diretor industrial da unidade da Cebrace em Jacareí. “O primeiro passo é levar o forno até sua temperatura de trabalho. Essa é uma etapa delicada, pois o forno é composto de diferentes materiais que dilatam em temperaturas e velocidades diferentes. Depois disso, todas as juntas previstas são seladas e os demais detalhes construtivos são finalizados”, descreve o diretor. “Concluídos os ajustes de aquecimento e em operação, as cargas são incrementadas em passos bem definidos. Parâmetros de produção como relação ar/combustível, temperatura ótica, ventilação e dilatação devem ser devidamente controlados até que a carga máxima seja atingida, com a qualidade requerida.”
Futuro próximo
Com um volume total de investimentos que supera a casa de R$ 1 bilhão, a Cebrace dá sequência a uma estratégia de mercado que vem se desenhando desde 2009, quando a empresa realizou a reforma e ampliação do forno C1, também em Jacareí, tendo aumentado sua capacidade diária de produção para as atuais 2,7 mil toneladas. Com a inauguração do C5, a empresa aumentará sua capacidade total para 1,3 milhão de toneladas por ano. “Isso tornará a cidade de Jacareí o maior polo produtor de vidros das Américas e um dos maiores do mundo”, diz Pinheiro.
O gerente revela que os planos de expansão da empresa deverão se concentrar, principalmente, na construção do novo float, o C6, na Bahia. Previsto para ser inaugurado já no primeiro semestre de 2013, o C6 terá capacidade para produzir 600 toneladas de vidro float por dia e elevará a capacidade anual da Cebrace para cerca de 1,5 milhão de toneladas. Outros investimentos serão na nova linha de espelhos jumbo, em Caçapava, no reparo do C3 e na implantação de um novo coater jumbo, também em Jacareí, programada para o início de 2013. “O objetivo é oferecer ao mercado produtos de alta tecnologia com foco, principalmente, em eficiência energética e conforto ambiental, bem como na produção local de uma gama completa de produtos de controle solar”, ressalta.
Segundo Pinheiro, o ano de 2011 apresentou resultados abaixo do que a empresa esperava. “Isso se deveu ao impacto da elevação da taxa de juros, em abril, que comprometeu todo o desempenho do segundo semestre. Evidentemente, esse processo afeta a indústria como um todo e, sem dúvida, está se refletindo em 2012”, avalia o gerente. Por isso, acrescenta, para este ano a palavra de ordem é austeridade. “Dependemos do sucesso das ações que serão implementadas pelo governo para avaliar como elas impactarão o mercado, principalmente o vidreiro.”

Executivos do grupo Saint- Gobain e da Cebrace com as daminhas de honra do novo forno
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