Quem circula com frequência por bairros metropolitanos com grande concentração de edifícios residenciais já pôde perceber que, tanto em prédios novos como em construções mais antigas, parapeitos tradicionais de ferro ou concreto vêm sendo substituídos por modernas e variadas soluções envidraçadas. Em escadas, mezaninos, passarelas e divisórias não é diferente: a busca por leveza e transparência inevitavelmente conduz aos guarda-corpos de vidro como primeira opção. “Os guarda-corpos de vidro são uma clara tendência da arquitetura contemporânea e cada vez mais têm sido a alternativa preferida dos profissionais da área”, diz André Costanzo, gerente de marketing da fabricante de ferragens Glass Vetro, cujo portfólio conta com avançadas soluções voltadas especificamente para esse tipo de aplicação.
Item de segurança fundamental nos projetos, o guarda-corpo cumpre a função de proteger contra quedas e acidentes, especialmente em lugares altos ou com desnível de piso. Tanto em ambientes internos como em áreas externas, são elementos determinantes no aspecto final de uma obra. Facilidade de instalação, aumento de visibilidade, durabilidade e segurança são alguns dos atributos que fazem do guarda-corpo de vidro um recurso cada vez mais presente em projetos de prédios comerciais, residências, shoppings e estações de metrô, entre outros. “Até em hospitais é comum encontrá-lo compartimentando os ambientes e ao mesmo tempo mantendo a interface espacial”, afirma a diretora a diretora de marketing da PKO, Myrian Ang.
A rápida evolução da indústria vidreira em seus processos de produção contribui para a consolidação do vidro como recurso capaz de unir estética, segurança e funcionalidade. “O vidro é versátil, seguro e pode ser considerado um substituto para diversos materiais comumente usados em guarda-corpos. Observadas as questões de segurança, não há limites para inovação com o vidro”, sustenta Jedson Rodrigues, da beneficiadora Fanavid.
“O uso do vidro em guarda-corpos integra um novo conceito arquitetônico que veio para ficar”, acredita Samuel Abrahão Gadia, coordenador de mercado da Cebrace. Segundo ele, no passado a aplicação mais comum era em interiores de shopping-centers ou malls.
“Há algum tempo, o recurso passou a ser frequente também em sacadas, inicialmente em cidades litorâneas como Rio de Janeiro e Vitória, para proporcionar maior integração com a paisagem”, lembra o coordenador. “Hoje, se espalhou para as demais cidades do Brasil, contribuindo para uma estética arquitetônica mais leve e que certamente agrega valor ao imóvel.”
Para todos os gostos
Com uma dose de criatividade e o eventual auxílio de um profissional especializado, o guarda-corpo de vidro permite transformar alguns ce-nários simples em sofisticados projetos. “Em espaços cada vez menores, essa é uma importante ferramenta para ampliar os ambientes”, observa Myrian Ang.
Seja em sacadas, escadas, rampas, mezaninos ou passarelas, são muitos os sistemas disponíveis no mercado para esse tipo de aplicação. Tudo depende do espaço e do estilo escolhido, destaca a diretora da PKO. “Os arquitetos têm à disposição hoje inúmeras beneficiadoras equipadas para idealizar projetos de guarda-corpos, tanto retos como curvos, nos quais é possível utilizar vidros float, impressos, aramados etc.”, comenta a diretora. “As peças da composição podem ser temperadas ou não, desde que sejam laminadas. Mas o ideal é que sejam usados laminados de temperados”, acrescenta.
Para Caroline Sanchez, coordenadora de marketing da fabricante de vidros impressos UBV, vale observar que o número de edifícios com varandas tem aumentado muito, e a aplicação de guarda-corpos de vidro acompanha esse crescimento. “Os impressos Quadrato e Astral Plus ficam especialmente bonitos e elegantes nesse tipo de aplicação. Ambos podem ser laminados e são fixados como qualquer outro vidro”, diz Caroline.
Diferentes texturas e características de translucidez podem ser exploradas em guarda-corpos de vidro para propiciar privacidade e discrição. “A tecnologia hoje presente na fabricação de vidros impressos é especialmente voltada para atender à crescente demanda na área de decoração. Com isso, os produtos são beneficiados de forma a proporcionar segurança com elegância, com foco tanto em estética quanto em funcionalidade”, afirma Marcela Calabre, da Saint-Gobain Glass. “Um recurso interessante para guarda-corpos é a fita de LED, que pode ser usada como um complemento para a iluminação do ambiente.”
Instalação correta
Beleza, leveza, modernidade, segurança, integração. “A única dificuldade desse tipo de aplicação não está no produto em si, mas em encontrar mão de obra qualificada para instalá-lo adequadamente”, avalia Myrian, da PKO. “Muitos vidraceiros ainda não seguem as normas de aplicação do produto. Infelizmente ainda vemos guarda-corpos instalados de forma incorreta.”
“O instalador deve estar atento quanto ao recorte e furações das ferragens a serem aplicadas”, alerta Juli Lazaro, da fabricante de ferragens Belcom. Para ambientes externos como sacadas, observa, o ideal é a utilização de spider ou vidros estruturados. “Já em ambientes internos, como escadas, os bottons 4360 são a solução perfeita, por dispensarem o uso de caixilhos ou perfis, valorizando o ambiente”, recomenda.
De acordo com o engenheiro Ricardo Macedo, da Hedron, o sistema mais usado atualmente é o chamado “Panorama”, composto por montantes de alumínio e vidros laminados fixados por perfis do tipo “U”, de abas desiguais e encaixe no próprio tubo do corrimão. “Praticamente todo edifício residencial de bom padrão adotou esse sistema, por ser de baixo custo e forte impacto visual”, diz Macedo.
No sistema Panorama, as ferragens são engastadas no piso, e a borda inferior apenas fixa o vidro. “O suporte de base pode estar aparente ou abaixo do nível do piso e, em qualquer das alternativas, deve ser bem rígido, de modo a evitar a rotação do vidro”, adverte o engenheiro Mauricio Margaritelli, da T2G. “Este ponto deve ser um engastamento e não um apoio”, observa. A empresa oferece como tecnologia mais avançada o sistema Flexiglass, composto por postes e suportes que permitem apoios transparentes, ao mesmo tempo em que garantem a segurança em aplicações extremas. “Oferecemos desde a opção tradicional, com moldura em alumínio e estrutura em aço carbono pintado, até sistemas complexos em vidro curvo fixados a uma altura de 140m em relação ao chão, como foi o caso do Terraço Itália.”
André Costanzo, da Glass Vetro, recomenda que a especificação do vidro e de seu acabamento seja diretamente vinculada ao tipo de ferragem a ser empregado. “Ambientes comerciais requerem vidros mais espessos e ferragens robustas”, explica. “Já em espaços residenciais, de menor fluxo, são indicados vidros e ferragens mais leves. Ou seja, na hora da especificação deve-se levar em conta o ambiente em que o guarda-corpo será instalado, o fluxo de passagem, quantidade de pessoas que se apoiam etc.”
O gerente informa que sistemas de ferragens apropriados para guarda-corpos podem ser fixados de diversas formas, em geral com torres de fixação a cada 1,20 m, aproximadamente. Essas torres são fixas no piso por parafusos ultra-resistentes, chamados de parabolt. “A fixação do vidro pode ser feita por meio de presilhas nas torres, com ou sem furação do vidro, de acordo com o modelo”, acrescenta. A Glass Vetro comercializa no Brasil os sistemas da alemã QRailing, que vão desde os mais robustos, voltados para ambientes de alto tráfego, até os residenciais. “São modelos que procuram valorizar o vidro, minimizando a exposição das ferragens. Além disso, visam simplicidade de instalação e economia de tempo. Em grande parte, não demandam que o vidro seja furado e recortado”, diz Costanzo.
Segurança em pr imeiro lugar Por definição, os guarda-corpos são elementos construtivos de proteção, com ou sem vidro, para bordas de sacadas, escadas, rampas, mezaninos e passarelas. Normatizados pela NBR 14718, podem receber fechamento em vidro, desde que atendam às exigências da norma. “Eles devem sempre apresentar um peitoril, cuja superfície superior da seção transversal não seja plana, a fim de evitar a disposição de objetos”, exemplifica Claudia Mitne, gerente de marketing da Glassec Viracon. Segundo explica Samuel Gadia, da Cebrace, os guarda-corpos de vidro podem ser montados basicamente de duas maneiras: com vidro fixo em um perfil, geralmente de alumínio, o qual pode ser fixado com 2 a 4 apoios; ou com vidro cumprindo função estrutural, engastado no chão ou fixado por spider.
“Nos dois casos, por segurança, é imprescindível que o vidro seja laminado, em atendimento à norma técnica NBR 7199. Quando o vidro tiver função estrutural, além de laminado ele deve também ser temperado”, informa o coordenador. “As aplicações mais arrojadas são aquelas em que o vidro atua como estrutura, como, por exemplo, nos hotéis Hilton Morumbi e Unique, em São Paulo”, cita o coordenador. Além disso, acrescenta, pode-se optar pelo vidro de controle solar, para maior sofisticação do imóvel.
Em relação à estrutura, nos casos a norma técnica de guarda-corpos exige um teste para verificar a validade do conjunto vidro-estrutura. Ou seja, o conjunto deve atender a uma carga pré-determinada.
Os componentes de fixação devem ser de extrema durabilidade, de modo a manterem a resistência da estrutura por períodos compatíveis com a longevidade do vidro. “Eternos, no caso”, comenta Ricardo Macedo, da Hedron. Alumínio e aço inox são os materiais mais frequentes nas estruturas, acessórios de fixação e peças aparentes. “Estruturas de aço são admitidas em locais imunes à corrosão. O vidro, é claro, não pode ter contato com qualquer material mais duro que ele, devendo estar apoiado sobre gachetas e calços elásticos”, frisa o engenheiro
“Um vidro ‘em pé’ pode ficar ali por muitos anos sem oferecer risco algum”, observa Margaritelli, da T2G. “Ele só vai mostrar suas reais propriedades de segurança quando elas são de fato requeridas, ou seja, em casos de impacto ou sobrecarga, que são previstos pela norma”, conclui.

APLICAÇÃO de impresso laminado Astral Plus, da UBV

ESCADA DO PALÁCIO IGUAÇU, sede do governo do Estado do Paraná. Projeto com sistema estrutural foi executado pela Hedron Engenharia

Escada instalada em uma clínica de dermatologia, com sistema Flexiglass, da T2G, que permite fixação entre duas estruturas de vidro, com 100% de transparência. No projeto da arquiteta Patrícia Salgado, os vidros temperados, laminados e múltiplos garantem que a visibilidade e luminosdade permeiem todo o ambiente

Linha robusta da Glass Vetro, aplicada em espaço premiado do evento Campinas Decor. O sistema é formado por torres e presilhas de pressão em aço inox, que prendem o vidro de forma prática e dispensam furos ou recortes. O intervalo das torres suporta placas de 2 m de comprimento, com tubos de apoio cumpindo a função de corrimãos. A instalação e execução ficaram a cargo da Arte Tubos.

Guarda-corpo com vidros da Cebrace

Modelo de guarda-corpo desenvolvido pela Claris, voltado para aplicação em varandas, mezaninos e corredores. Com largura e altura variáveis, podem chegar a até 1,5 m de altura

Guarda-corpo com luzes de LED e vidros impressos da Saint-Gobain Glass

Integração com a paisagem: guarda-corpos de vidro são cada vez mais frequentes em varandas

Vista desimpedida: sistema engastado no piso, com laminados de temperados da PKO

Aplicação da T2G com vidros curvos engastados no piso

Hotel Unique, em São Paulo. Vidros engastados no piso, cumprindo função estrutural, estão entre as soluções mais arrojadas atualmente

A linha de esquadrias para guarda-corpos Stilo Grad, da Belmetal, possibilita montagens com diversos perfis: corrimãos, colunas, barrotes e adornos, todos com opção de geometria reta ou arredondada. A fixação estrutural pode ser feita por pontaletes de alumínio ou aço inox
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