Oficialmente fundada há pouco mais de um ano, a Adevibase (Associação de Distribuidores, Processadores e Empresas de Vidros Planos da Bahia e Sergipe) prepara-se para por em prática uma série de ações definidas e planejadas nesse período inicial de estruturação. Desde novembro de 2010, quando foram iniciados os trabalhos para associação com a Abravidro, o comando da jovem entidade está nas mãos do empresário José Romão da Silva Neto, proprietário da tradicional beneficiadora baiana Princesa Vidros.
Com uma experiência de mais de quarenta anos no segmento, Neto é um apaixonado pelo vidro desde os 12 anos, quando começou a trabalhar ao lado da mãe na mesma Princesa Vidros que dirige hoje, aos 55. “Comecei fazendo cobranças de bicicleta. Naquela época, no interior da Bahia, as cobranças eram feitas porta a porta”, recorda. Aos 14 anos, o empresário aprendeu as primeiras lições sobre o vidro temperado.
“Primeiramente fiz um pequeno treinamento em Natal-RN, na antiga M de Melo. Depois disso, fiz uma série cursos na Blindex, no Rio de Janeiro, e de lá para cá não parei mais.”
Foi para Salvador em 1984, e um ano depois comprou a Gemar, fusão da Cristais Magé e Vidromar. O primeiro forno vertical montado foi em 1987, em Feira de Santana.
Cinco anos depois, a Princesa Vidros inaugurava seu forno em Salvador. Em entrevista a Vidro Impresso, o empresário fala sobre suas expectativas à frente da Adevibase, em um momento histórico em que a região Nordeste recebe investimentos do setor vidreiro em volume inédito, com a implantação de novas fábricas e centros de distribuição de algumas das maiores fabricantes presentes no País.
- A região Nordeste tem-se mostrado um celeiro de oportunidades e investimentos e vem crescendo acima da média nacional. Em que medida o setor do vidro acompanha essa evolução?
Acredito que há um exagero na forma como o fato está sendo apresentado.
O consumo per capita do vidro no Nordeste vem crescendo acima da média nacional, mas ainda é muito baixo se comparado com o do Sul e Sudeste.
- O Nordeste tem recebido importantes investimentos em novas fábricas e centros de distribuição, como é o caso do novo CD da Guardian, no Ceará, do forno C6 da Cebrace, na Bahia, e da nova fábrica da CBVP, em Pernambuco. O que isso representa para a região e quais os principais impactos sobre processadores e a cadeia vidreira de um modo geral?
A chegada de novos fabricantes de float é muito importante para toda a cadeia vidreira. Ficamos muitos anos sem uma concorrência mais
acirrada, e essa nova situação trará benefícios para todos. A implantação dos centros de distribuição em Fortaleza, Salvador e Recife já está beneficiando todos os processadores com a disponibilidade de produtos com mais rapidez e facilidade.
- O mercado baiano está entre as principais apostas anunciadas pela CBVP, em cerimônia que marcou o início das obras da nova planta. Quais as transformações previstas para a região após a inauguração da nova fábrica da companhia?
Acredito que todo o Nordeste é a aposta da CBVP, e isso ficou bastante claro naquela cerimônia. As transformações previstas para nossa região após a implantação desses novos fornos são excelentes. Acreditamos que teremos vidros com maior facilidade e a preços mais competitivos em relação aos importados.
- Em 2011 a Cebrace inaugurou um novo centro de distribuição na cidade de Simões Filho, a 31 km de Salvador. Quais os benefícios que esse novo centro trouxe para os beneficiadores do Estado?
Agilidade e maior disponibilidade
- Quantas são as empresas vidreiras da Bahia e Sergipe? Quais as principais características dessas empresas?
É difícil mapear e mensurar as empresas vidreiras no Brasil, e isso não é diferente aqui na Bahia e Sergipe. Recentemente uma entidade tentou levantar apenas a quantidade de temperadores e já foi difícil.
- O que o levou ao comando da Adevibase?
Era um sonho antigo ver nosso ramo pelo menos sabendo quem éramos.
Antes da Adevibase, era assim o pensamento da maioria: é concorrente, é um inimigo mortal. Na maioria dos casos, o cidadão nem conhecia
o concorrente, mas já o considerava como inimigo. O associativismo só traz benefícios para todos, estamos numa nova era do vidro na Bahia e em Sergipe. Foi um longo caminho até fundar a Adevibase. Não foi fácil e não está sendo.
- Qual tem sido o aspecto mais importante de seu trabalho à frente da Adevibase? Quais são as metas para o futuro próximo?
Estamos completando um ano depois de cumpridas todas as etapas burocráticas após a fundação. Nesse curto período, tivemos pela primeira vez na história um jantar de confraternização de final de ano, já ministramos dois cursos para técnicos de vidro temperado
nível-01, fizemos parceria com o curso PAV e ministramos dois cursos de pele de vidro, outra parceria com a Glasvetro e VCG. Ministramos um treinamento de guarda-corpo, cola UV e molas de piso. Junto com os órgãos públicos competentes, e já agendamos palestras sobre o uso correto do vidro na construção civil, atendendo as normas da ABNT. Estamos com mais dois cursos de vidro temperado agendados e escolhendo datas para outros dois. Estamos também tentando confirmar nosso evento de final de ano para o dia 23 de novembro, com um ciclo de palestras sobre vidros. Já agendamos com faculdades cinco palestras sobre o uso correto do vidro para estudantes de engenharia, arquitetura e design. Esse é um trabalho desenvolvido há vários anos por nossa empresa e que agora transferimos para a Adevibase. Paralelamente, estamos montando outras parcerias que em breve esperamos poder anunciar.
- Quais devem ser as principais ações da entidade para o fortalecimento do setor vidreiro na região?
Todas as atividades mencionadas fortalecem muito o segmento. Só o cumprimento das normas da ABNT já representaria aumento de 25% no consumo em empreendimentos residenciais.
- As limitações técnicas da mão de obra representam um obstáculo para o setor vidreiro? Como contornar o problema?
Com cursos profissionalizantes, com um apoio maior dos governantes e cada um fazendo a sua parte. Encontramos grandes dificuldades em conseguir profissionais para ministrar cursos aqui em nossa região e por isso tivemos nós mesmos de formatar esse treinamento, que está sendo um sucesso.
- Em que consiste o treinamento de vidraceiros promovido pela Adevibase? Quais as metas e o grau de abrangência desse treinamento?
Por enquanto estamos apenas fazendo o treinamento nível 1, que inclui medição, folgas, desenho, ferragens, comportamento, normas técnicas e instalação. Estamos formatando o curso de vidraceiro, mas é um projeto para 2013.
- Qual a importância da associação entre Adevibase e Abravidro? Como se dá essa parceria?
Sem o apoio da Abravidro, com certeza a Adevibase não teria nascido.
- Como é a relação da Adevibase com a cadeia da construção civil?
Até o momento tem sido pouco o contato da Adevibase com a construção civil, mas logo estaremos anunciando alguns projetos nesse sentido.
- Quais as principais dificuldades que as empresas vidreiras da Bahia e Sergipe enfrentam atualmente?
O gargalo da mão de obra e a concorrência internacional, com especuladores entrando no nosso ramo.
- Quais as principais limitações desse mercado e como saná-las? Ainda há muita dependência com relação à região Sudeste do País?
Hoje, com o desenvolvimento dos meios de comunicação, vamos ficando mais independentes.
-Quais as perspectivas do setor para os próximos anos, diante de obras previstas para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016?
Ainda é uma incógnita. Tínhamos uma previsão no início do ano, outra no final do primeiro trimestre e agora estamos com uma terceira.
- E quanto à crescente demanda da sociedade em relação a projetos comprometidos com a sustentabilidade? Acredita que o setor vidreiro está apto a atender tais demandas?
Ainda estamos engatinhando, mas já temos empresas bastante engajadas com a sustentabilidade.
- Estando entre as regiões mais quentes do Brasil, o Nordeste é uma região propícia para o consumo de vidros de controle solar. Qual o potencial deste mercado?
Enorme. Precisamos é de maiores ações dos fabricantes junto aos especificadores.
- E com relação aos painéis fotovoltaicos? Acredita que o investimento em usinas de energia solar e a exploração desse mercado pode beneficiar o setor vidreiro no Brasil?
É outro mercado que fará com que o consumo de vidro aumente muito.