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Beneficiamento de Vidros

A ampliação das possibilidades funcionais e estéticas do vidro abre mais oportunidades no setor para além da instalação. Tanto que algumas vidraçarias têm migrado para o mercado de transformação do vidro.

20/09/2017

Montar um negócio é o sonho de um terço dos brasileiros. No mercado do vidro este desejo também é muito comum e um caminho a ser seguido por boa parte dos profissionais em algum momento de sua carreira. As possibilidades de empreender dentro do mercado vidreiro são muitas, de vidraçarias e distribuidoras a têmperas e beneficiadoras. 


A tecnologia avança e a indústria a cada dia cria mais oportunidades de aplicações do vidro na construção civil, ampliando as possibilidades funcionais e estéticas do material, o que abre o leque de atuação dentro deste setor. Neste contexto, o papel dos transformadores cresce junto com a variedade de tratamentos que o vidro pode receber. 


Entretanto, montar uma beneficiadora, como qualquer outro negócio, implica em um planejamento, que inclui pesquisa de mercado, investimento e conhecimento de gestão e do setor. A estrutura de espaço e equipamentos demanda um capital considerável, então o crescimento deve ser sustentável, pensado passo a passo, de forma crescente e estruturada, mas com um mínimo necessário para atender à demanda. 

 

 

“Acredito que mais de 80% dos beneficiadores foram vidraçarias no passado. As grandes têmperas pelo Brasil foram excelentes vidraçarias e estão no mercado até hoje como grandes beneficiadores”

 - Wagner Gerone, professor e consultor no mercado vidreiro

 

Um novo nicho

 

Muitas beneficiadoras e têmperas começaram como vidraçaria e, ao longo do tempo, foram modificando a estratégia conforme a reação do mercado. Este é um caminho interessante, pois enquanto já atua em um segmento com demanda garantida, pode ir investindo em equipamentos e estrutura com cautela, e adequar o negócio aos poucos. 


“Acredito que mais de 80% dos beneficiadores foram vidraçarias no passado. As grandes têmperas que conheço pelo Brasil foram excelentes vidraçarias e estão no mercado até hoje como grandes beneficiadores”, destaca o professor e consultor Wagner Gerone, que atua no segmento há mais de 40 anos.  

Algumas optam por mudar o foco, outras em agregar e somar os produtos e serviços, tudo depende das condições de cada caso, de investimento, demanda na região, da capacidade de gestão e da meta de crescimento do empresário. 


“Ampliar o leque de produtos, desde que com estudo e clareza, é muito vantajoso, pois temos que estar sempre um passo à frente da concorrência. Só não dê o passo maior do que a perna, como, por exemplo, já começar a trabalhar com chapa jumbo, que exige um investimento bem mais alto em termos de equipamentos de movimentação”, aconselha.   

 

 

 

Estrutura necessária

Em relação à estrutura é necessário ter espaço suficiente para colocar uma linha de produção em uma sequência lógica, aonde o vidro não fique dando voltas e demande o mínimo de manuseio com o mesmo. Quanto aos equipamentos, o essencial, de acordo com Gerone, é mesa de corte, lapidadora, furadeira, lavadora e um forno. “Acredito que o ideal é começar com todos os equipamentos, porque senão você vai depender de alguém para processar uma parte da sua produção, e eu não vejo isso com bons olhos”, avalia.

 

Crescimento sustentável

Johnny Rodrigues começou como instalador em 2009 e em 2011 decidiu abrir uma vidraçaria, a Perfect Glass, com um sócio, que segurou bastante sua vontade de crescer. Hoje, sozinho, investiu em equipamentos para o beneficiamento do vidro com a finalidade de abastecer sua empresa, focada no envidraçamento de sacada, e também para oferecer a outros vidraceiros. 


Instalado em Ribeirão Pires, interior do estado de São Paulo, ampliou ainda sua atuação para outras cidades. Suas melhorias resultaram em um crescimento de 400% em apenas três anos. Hoje, o empresário emprega indiretamente cerca de 120 pessoas. São 3 mil metros de envidraçamentos por mês, em uma média mensal de 250 apartamentos. 


Apesar de crescer rápido, não foi do dia para noite. Rodrigues caminhou um passo de cada vez e não pretende parar por aqui. Foi investindo em equipamentos aos poucos. Inicialmente comprou equipamentos mais simples, todos usados, e foi evoluindo para máquinas mais modernas, até comprar a mesa de laminado, seu primeiro equipamento novo, adquirido no ano passado. 


Seu primeiro investimento foi uma lapidadora simples, com investimento de R$45 mil, e a mesa manual de corte do vidro, na qual pagou R$4 mil. A ideia inicial era ter mais conforto em sua própria demanda. Por isso, começou a beneficiar o vidro laminado e automaticamente acabou fornecendo para vidraceiros. 


“O meu prazo de entrega para envidraçamento é de 20 dias, enquanto o mercado oferece 35, mas estava tendo problemas com fornecedores para pedir ajustes ou fazer uma obra rápida. Aí comprei uma mesa de corte manual, depois uma lapidadora e fui investindo mais”, conta. Depois das primeiras aquisições, o empresário foi substituindo as máquinas por outras mais modernas. Comprou lavadoras mais potentes das marcas Glaston e Agmaq. A diferença entre uma aquisição e outra foi de 4 meses. 


“Hoje tenho a mesa de laminado da Macotec, duas lapidadoras e uma lavadora. Quero crescer mais. Minha meta agora é comprar uma mesa de monolítico para fazer espelhos e em breve um forno de têmpera. Como comecei a vender para vidraceiro este ano e tenho procura por vidro temperado, espelho e vidro comum, e terei que ampliar as opções. Vou precisar também ampliar a estrutura. O que faço hoje é revender o temperado que consigo com um preço bom de um fornecedor, mas não muito atrativo”, revela.

 

A Perfect Glass começou fazendo envidraçamento de sacadas e hoje faz também beneficiamento do vidro laminado para outras vidraçarias

 

Mudança de foco

O sogro de Luciana Assumpção montou uma vidraçaria em 1974, a Casa Vania, atual Engi Temper, que há quase 25 anos foi assumida por seu marido. Porém, em 2013 decidiram mudar a forma de atuação da empresa, que hoje é uma têmpera de vidros e fornece para outros vidraceiros. Adquiriram um forno SGlass com capital de um financiamento e adaptaram toda a estrutura. Na verdade, a primeira aquisição foi em 2011, quando compraram uma lapidadora, e aos poucos foram ampliando. Diferentemente de Johnny Rodrigues, deixaram de lado o serviço de instalação para focar na transformação do vidro. 


Luciana explica que um dos fatores que motivaram a mudança foi a dificuldade de gerenciar as obras e funcionários trabalhando na rua, por conta própria. Apesar da margem ser apertada, hoje administra melhor a equipe e conseguiu um faturamento maior com o beneficiamento do vidro do que antes como vidraçaria. 

 

 

 

Ampliação do leque

História semelhante tem o Thiago Oliveira da Silva, que trabalhava em uma beneficiadora e em 2009 resolveu montar sua própria vidraçaria, a Camp Vidros, na região de Campinas, em São Paulo. Depois de três anos de atuação decidiu comprar uma lapidadora. “Outros vidraceiros começaram a me procurar e quando vi já estava vendendo mais para vidraçaria do que prestando serviço”, lembra. 


Hoje, o empresário ainda atua com a revenda de ferragens e acessórios, além do beneficiamento do vidro. “Aos poucos fomos investindo em máquinas para melhorar nossa produção e atendimento aos clientes. Hoje temos um estoque razoável de vidros, kits e acessórios, duas mesas de corte, lavadora, ponte rolante, duas lapidadoras 44, uma lapidadora copo, biseladora, lapidadora giro, lapidadora americana, uma furadeira e um caminhão. Tudo isso com recursos próprios sem endividamento junto ao banco”.

 

Especialização

Tudo é uma questão de estratégia. A Paint Glass, por exemplo, nasceu em 2008 com a ideia de ser distribuidora de vidros e oferecer apenas o serviço de pintura em vidros. “Como todo começo é difícil, não demorou para a aparecer as dificuldades em manter diversos produtos em estoque e ainda manter a qualidade dos produtos e do atendimento, então paramos com a distribuição de vidros e focamos somente na pintura em vidros, ficando assim muito fácil de manter a qualidade dos serviços prestados”, conta Allan Sena de Paula, sócio-proprietário da empresa. O empresário explica que a vantagem de focar é que eles conseguem se especializar, mas também acabam se limitando na atuação e possibilidade de rentabilidade da empresa.


Planejaram-se para abrir o leque de produtos, mas dentro de um nicho. “Em 2010 começamos a prestar mão de obra de jateamento em vidros. Isso agregou a nossa empresa e agradou nossos clientes. Desde então nós focamos em oferecer cada vez mais opções. Em 2012 começamos a oferecer acidação em vidros e em 2016 começamos a fornecer vidros novamente, mas dessa vez muito mais estabilizados e mantendo a qualidade”, descreve. Recentemente também passaram a disponibilizar acessórios para vidros. 

 

 

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