Pinacoteca de São Paulo recebe obra de arte em espelhos

Pinacoteca de São Paulo recebe obra de arte em espelhos

Capa: Pinacoteca de São Paulo recebe obra de arte em espelhos

Depois de quase 35 anos de sua primeira exposição individual, realizada na Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a artista Ana Maria Tavares volta para apresentar “No lugar mesmo: uma antologia de Ana Maria Tavares”. A mostra está aberta até 10 de abril de 2017 e ocupa sete salas do primeiro andar do edifício da Luz, assim como os espaços do octógono, lobby e corredores do mesmo piso. Com apoio da Abividro e da Cebrace, a exposição reúne mais de 160 obras da mineira que, segundo a curadora Fernanda Pitta, rearticulam elementos fundamentais da produção da artista de 1982 até o momento presente.

Em destaque no octógono, está projetada um site-specific (obra criada especialmente para aquele espaço da Pinacoteca) com espelhos que cobrem todas as laterais do espaço, do chão ao teto, brincando com reflexos das peças de Espelhos Cebrace em grandes dimensões e criando a sensação de labirinto. No centro háuma escada de aço inox, inspirada em escadas de aviões usadas em aeroportos, com um fone de ouvido no topo. Segundo a artista, nesse ambiente o visitante é convocado à experiência de deslocamento e suspensão, “a ver-se sendo visto, exposto a si mesmo; sendo visto, flagrado”.

Para Ana Maria Tavares, a relação entre arte, espaço e sujeito estabelecida nesse trabalho, cujo nome é ‘Exit III com Parede Niemeyer (Estação Luz) ‘, é uma das marcas da sua trajetória. Da mesma forma, o uso de materiais espelhados começou em 1997, quando realizou a exposição individual Porto Pampulha, no Museu da Pampulha, antigo Cassino projetado por Oscar Niemeyer. “Nesta ocasião, já estava completamente dedicada a construir uma visão mais crítica sobre as consequências de um projeto de Brasil moderno, muito intensamente vislumbrado por Juscelino Kubistchek, o qual tomou a arquitetura modernista como seu maior porta voz. Niemeyer foi um dos agentes mais relevantes deste projeto, iniciado em Minas, para anunciar ao mundo nossa condição moderna. Não por acaso o espelho é recorrentemente utilizado em grandes edifícios deste arquiteto e é um elemento significativo. Para mim, o espelho, no contexto da produção de Niemeyer, é a síntese da utopia desse Brasil que deveria assumir desde então sua condição moderna”, comenta.

Sobre o papel dos espelhos em suas obras, a artista reflete: “O espelho é o lugar onde estamos, mas não estamos, onde projetamos nossas expectativas e desejos. A meu ver, o mais peculiar a respeito do espelho seria sua capacidade de provocar a experiência do “eu me vejo vendo, exposto a? mim mesmo” ou, “eu me vejo sendo visto; flagrado”, ou ainda, “eu revejo o que já? vi antes”. Trata-se, portanto, de uma experiência potencialmente crítica. Além disso, os espelhos, dispostos da forma como venho fazendo, nos possibilita uma experiência fragmentada do mundo, labiríntica; e tais questões estão amplamente elaboradas em muitas outras obras.

De acordo com arquiteto responsável pela execução do projeto, Luis Roberto de Caro, da Vetrino, foram necessários 30 colaboradores diretos e indiretos durante quatro semanas de trabalho para a montagem dos Espelhos Cebrace 6mm, com peças em 2,0m x 3,2m colado sobre quadro de madeira sobre estrutura metálica.  Como o edifício da Pinacoteca é tombado pelo IPHAN, foi necessária cautela extra na fixação das estruturas provisórias a fim de evitar danos no local. “Através de um planejamento detalhado, implantamos uma ´linha de produção com entregas, fixações e montagens dos quadros com espelhos que posteriormente eram içados e pendurados através do sistema de ´mão amiga´ nas estruturas provisórias montadas”. Dessa forma, os produtos foram instalados em um mosaico de seis paredes estruturadas com perfis metálicos, cada uma com 6,0m(largura) x 12,80m(altura), dispostas no Octógono da Pinacoteca, garantindo a precisão e beleza estética projetada na obra pela artista.

Fazem parte da antologia outros importantes trabalhos como Tapetes pretos para paredes brancas, obra exposta na individual de 1982. “No lugar mesmo: uma antologia de Ana Maria Tavares” está em cartaz até 10 de abril de 2017 na Pinacoteca – Praça da Luz, 2, São Paulo.  Mais informações: pinacoteca.org.br – (11) 3324-1000.